Pare de tentar fazer o que todos os outros querem que você faça. Faça o que você quer fazer. Você dá o seu melhor quando é apaixonado pelo que faz. Encontre a sua paixão

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Mark Rosewater era o designer chefe do bloco Cicatrizes de Mirrodin. Por alguma razão eles estavam muito inspirados pelo filme "Planeta dos Macacos". No final do filme é revelado que toda a história se passou no planeta Terra, porém no futuro (os astronautas viajaram no tempo sem saber). Mark e a equipe tinham a mesma ideia para o segundo bloco de Mirrodin, deixar a surpresa para o final. Os jogadores só descobririam que Mirrodin se tornou Nova Phyrexia no final. Mark teve muita dificuldade de fazer o conceito funcionar. Bill Rose, então vice-presidente do departamento de Pesquisa & Desenvolvimento do jogo, mudou bastante coisa no time de design numa tentativa de fazer o set funcionar. Bill deu um prazo limite de seis semanas para que Mark atingisse o ponto de aprovação, caso contrário a liderança teria que mudar para outra pessoa. Tanto Mark quanto Bill sentiram a pressão e depois de uma conversa privada a resposta para as dificuldades que enfrentavam apareceu.

Depois de um fim de semana pensando Mark concluiu que eles estavam tentando criar o set errado. Eles estavam tentando contar a história de trás para frente, começando pelo final dela. Eles queriam contar a história da queda de Mirrodin para os Phyrexianos e eles queriam começar depois da vitória dos Phyrexianos, que era o clímax da história. A partir daquele momento em diante Mark passou a se perguntar "Pelo que sou apaixonado? Por quê eu sou a melhor pessoa para liderar o design?". Se ele, o líder, não estivesse entusiasmado como ele poderia esperar que os jogadores ficariam entusiasmados? Ele como líder representa paixão e entusiasmo. É isto que a sua posição de líder na criação do jogo representa.


Eu começo dizendo que o Mark admite que é auto-centrado. Ele tem razão quando diz que temos que ao menos gostar do que fazemos, caso contrário não obteremos sucesso. Porém, como ele mesmo admite, ser teimoso traz alguns problemas porque ele frequentemente quer levar o jogo numa direção que pode não ser a mesma que os outros designers da mesma equipe querem seguir. Quanto ao "Planeta dos Macacos" e Magic. O primeiro é uma história contada num filme, enquanto o segundo conta histórias com livros, sites e cartas. Às vezes vemos uma grande ideia e tentamos replicá-la, mas sem deixar de dar o nosso próprio tempero. Pode funcionar ou não. No caso de Cicatrizes de Mirrodin não funcionou. Eu diria que quando vemos uma grande ideia, frequentemente nos esquecemos quais foram as motivações por trás dela. Eu tenho certeza de que os processos de criação de um filme e um jogo de cartas são bem diferentes entre si. O que funciona num meio ou ambiente pode não funcionar no outro.

Eu adicionaria que a paixão pode ser uma espada de dois gumes. A mesma paixão que nos motiva para frente também pode ser a nossa ruína. Podemos ver no caso do Mark. Algumas vezes ele vai em frente com uma ideia com tanta paixão que a ideia chega até o produto final. Depois vem os jogadores e o julgamento deles vai dizer se aquela ideia foi um sucesso ou não. Mark cita vários exemplos da sua carreira onde uma ideia provou ser um fracasso. A longa lista de cartas banidas incluem muitas que foram criadas por Mark. Eu certamente posso me ver na situação do Mark quando o assunto é design de níveis. Eu posso me lembrar de níveis em que eu tive uma ideia e insisti muito com ela, até que a ideia provou ser um fiasco e tive que abandoná-la. Sobre parar de tentar fazer o que os outros querem, eu teria cuidado com a interpretação ao pé da letra deste conselho. Um exemplo é o vestibular. Muitas vezes eles são injustos, mas se não há outra forma de entrar, não temos muita escolha a não ser estudar para ele.

Para concluir, a paixão é uma força motriz muito forte e todos precisamos amar algo. Mas existe um liminar entre paixão ou amor excessivos que é perigoso. Existe uma discussão bem ampla que versa sobre nossos egos e saúde mental e sociedade, mas isto está além do meu alcance nesta página. Eu diria que a lição de Mark é bem relativa a amor-próprio, porque o examplo que ele deu é sobre admirar algo ou alguém e tentar com muita força replicar aquilo ou ser aquela pessoa. No processo acabamos por perder a nós mesmos e podemos entrar num estado de delírio.

Nota de rodapé: Mark perguntou a si mesmo "Por quê eu sou a pessoa mais adequada para criar este set?". A resposta poderia muito bem ser "Você não é". Neste caso teríamos que enfrentar nossos próprios egos porque se não somos, então temos que deixar outra pessoa assumir a responsabilidade.

Referência